A espera acabou! Tormented Souls 2 chegou às lojas trazendo consigo a promessa de mais pesadelos e, depois das primeiras sessões de jogo no playstation 5 dá para dizer que o game chegou a tempo do Halloween e não decepcionou. Estas são as minhas primeiras impressões de Tormented Souls 2, um mergulho inicial na escuridão de Villa Hess que já conseguiu me capturar completamente.
A atmosfera de terror é, desde os primeiros minutos, palpável e imersiva. O jogo te joga em uma tensão constante enquanto você tenta entender tudo o que está acontecendo naquele convento esquisito, com freiras bem estranhas e monstros à espreita. A introdução é eficiente e já dá o tom da narrativa que está por vir, estabelecendo de forma comovente a relação entre Caroline Walker, nossa protagonista resiliente, e sua irmã Anna, que claramente enfrenta questões profundas com o sobrenatural.
Uma Viagem no Tempo com a Gameplay
Assim que assumo o controle de Caroline, sou imediatamente transportado de volta aos tempos áureos do survival horror. O início da gameplay de Tormented Souls 2 é uma nostálgica e bem-vinda volta aos tempos do primeiro Resident Evil no PlayStation 1. A câmera fixa, que enquadra corredores sombrios e salas claustrofóbicas, os controles “tank” que adicionam uma camada tática aos encontros, a forma meticulosa de interagir com os objetos, os puzzles que exigem raciocínio e, é claro, a forma clássica como salvamos o progresso… são todos elementos que compõem um amoroso tributo aos grandes títulos que definiram o gênero.
Vídeo do início da Gameplay
Aqui está o momento que você esperava: o início da jornada em Villa Hess. Coloquei o vídeo abaixo para que você possa sentir na pele a atmosfera e a jogabilidade que remetem aos clássicos. Assistir à ação se desenrolar sem comentários permite apreciar todos os sons ambientes e a tensão crua que o jogo oferece.
Assista aos primeiros minutos de Tormented Souls 2 em ação. Percebam a câmera fixa, a atmosfera opressiva e os sons que tornam cada passo uma experiência tensa. É pura nostalgia do survival horror dos anos 90.
Ver a gameplay sem comentários, como no vídeo acima, só reforça como a ambientação e a direção de arte são pontos fortes absolutos. Mal posso esperar para voltar para a misteriosa Vila Hess! Quero desvendar seus segredos, tentar salvar Anna e ver o desenrolar daquela que promete ser uma narrativa profundamente assustadora.
Estas são apenas as primeiras impressões de Tormented Souls 2, e já é claro que os desenvolvedores entenderam perfeitamente a essência do que faz um survival horror clássico funcionar. A jornada promete ser longa e arrepiante, e estou ansioso para cada minuto dela.
Em nossa análise de Trenches VR, mergulhamos nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial em uma experiência de terror psicológico intensa e inovadora, onde o silêncio é sua única arma. O jogo, desenvolvido por um único talentoso programador, acaba de chegar para PCVR via Steam e Meta Quest, com a versão para PSVR2 anunciada para um futuro breve.
Após 2,5 horas concluí a campanha e saí bastante impressionado com a coesão e a atmosfera angustiante que o título consegue entregar. Esta análise de Trenches VR detalha por que o jogo é uma bom indie para os fãs do gênero.
Confira abaixo a gameplay em ação e veja, em primeira mão, a tensão constante e os sustos que Trenches VR oferece. Não se esqueça de se inscrever no canal para mais análises de VR!
Vários sustos rolando enquanto tento sobreviver ao terror psicológico de Trenches VR para esta análise.
Uma Premissa Sombria e Inovadora
Diferente de qualquer outro jogo de guerra, Trenches VR te coloca na pele de um soldado perdido atrás das linhas inimigas, com um único objetivo: voltar para sua família. No entanto, o horror aqui não vem apenas dos soldados adversários. A análise de Trenches VR confirma: os verdadeiros inimigos são monstros e assombrações que personificam o trauma e a loucura do conflito.
A jogabilidade é um bem singular. Você não pode matar as criaturas; sua arma de fogo apenas as atrasa, dando alguns preciosos segundos para correr e se esconder. Se o monstro chegar perto o bastante, é morte instantânea e você recomeça a campanha. Essa sensação de vulnerabilidade é constante e te deixa tenso.
Este é talvez o aspecto mais inovador que apareceu durante esta análise de Trenches VR. O jogo utiliza o microfone do seu headset de forma bem interessante: os inimigos podem ouvir sua respiração, suspiros e, principalmente, seus gritos reais. Manter a calma e o silêncio não é só uma dica, é uma necessidade.
Para progredir, você deve coletar 9 bonecas fetais espalhadas pelo labirinto de trincheiras. Elas choram, e você pode seguir a direção do som para encontrá-las. Sua ferramenta é um apito: ao usá-lo, as bonecas choram mais alto, facilitando a localização, mas o som também atrai os inimigos. A estratégia de usar o apito perto de um esconderijo é crucial para sobreviver.
Trenches VR Arte nas trincheiras da guerra
Atmosfera, Sustos e uma Campanha Sólida
A análise de Trenches VR não estaria completa sem falar dos sustos. Mesmo em minha terceira tentativa, me assustei várias vezes. O jogo é repleto de jump scares, mas a atmosfera psicológica e a sensação de que a sanidade do personagem está se deteriorando – com o ambiente mudando de forma sutil – são o que realmente sustentam o terror.
A campanha, embora curta, é intensa. A aleatoriedade da névoa, dos jump scares e da localização de alguns objetivos garante uma certa rejogabilidade. Os gráficos são simples, como se espera de um projeto indie, mas são eficazes em criar uma ambientação sombria e claustrofóbica. É um projeto que conhece suas limitações e entrega algo bom com o que tem.
Veredito Final da Análise Trenches VR
Minha análise de Trenches VR é positiva. O jogo é uma experiência de terror coesa e inovadora, que usa a premissa da Primeira Guerra Mundial como pano de fundo para um pesadelo psicológico marcante.
A mecânica do microfone é interessante e a sensação de vulnerabilidade é palpável. Embora os gráficos sejam básicos e a jogabilidade seja focada em se esconder e explorar, o pacote final é competente.
Trenches VR é um indie que cumpre o que promete, entrega uma boa mensagem sobre a guerra e é uma recomendação certa para quem busca uma boa dose de sustos em realidade virtual.
Esta análise foi realizada com uma cópia de avaliação para SteamVR, gentilmente cedida pela Steelkrill Studio. Agradecemos a confiança depositada em nosso trabalho.
A Hello Games acaba de lançar a atualização Breach para No Man’s Sky, uma expansão gratuita que traz uma pitada de terror espacial perfeita para a época de Halloween. Esta é a atualização Breach que os fãs esperavam, focada em explorar o lado sombrio e abandonado do universo do jogo.
Como um ávido explorador do universo de No Man’s Sky, não vejo a hora de mergulhar de cabeça nessa atualização Breach, especialmente pela perspectiva imersiva do PSVR2. A sensação de caminhar no espaço e explorar as carcaças de naves abandonadas deve ser uma experiência verdadeiramente arrepiante em realidade virtual.
Confira o trailer oficial da atualização Breach para se ambientar no clima sombrio da nova expedição:
Trailer oficial da atualização Breach de No Man’s Sky, mostrando a exploração de naufrágios e os sistemas de estrelas roxas.
O que é a Expedição Breach?
A atualização Breach introduz a Expedição de mesmo nome, que é seu conteúdo principal. Nela, os jogadores são transportados para um universo desolado e abandonado, onde a principal atividade é localizar e saquear os destroços de corvetas que tiveram um fim trágico.
Uma Jornada Sombria: A expedição guia os viajantes mais corajosos para os raros e sinistros sistemas de estrelas roxas. Esses sistemas, apresentados anteriormente na atualização Worlds Part II, abrigam planetas particularmente ameaçadores, com oceanos abissais, entidades sobrenaturais e gigantes gasosos voláteis.
A Fireship Arcadia: No centro dessa narrativa está o mistério da Fireship Arcadia, uma corveta perdida cujo destino será revelado aos poucos durante a exploração. Para descobrir seus segredos, será preciso encarar o vácuo do espaço e fazer uma caminhada espacial até seus restos mortais.
Pilares da Gameplay da Atualização Breach
A atualização Breach se apoia de forma brilhante em dois dos maiores acréscitos recentes ao jogo: a construção de corvetas e a caminhada espacial (spacewalking), introduzidas na massiva atualização Voyagers de agosto.
Salvamento de Naufrágios Espaciais: Pela primeira vez, os jogadores podem encontrar corvetas destruídas à deriva no espaço profundo. A jogabilidade envolve sair da nave em caminhada espacial, flutuando em gravidade zero até o casco da nave wrecked. Lá, usando a Multi-Ferramenta, é possível desmontar módulos valiosos para levar para sua oficina.
Novos Módulos para Corvetas: O principal incentivo para explorar é a obtenção de uma leva de novas peças para personalizar sua corveta. A atualização Breach adiciona novos trens de pouso, escudos, armas, conectores e, o mais aguardado, módulos em forma de cunha. Essas peças, incluindo as raras partes verticais, abrem um leque totalmente novo de possibilidades criativas para os construtores de naves.
Para os fãs do Atlas, a atualização Breach também oferece um conjunto completo de recompensas temáticas da entidade, como asas, propulsores e um rastro estelar de cor carmesim.
Melhorias de Qualidade de Vida
Além do conteúdo principal, a atualização Breach traz uma série de ajustes que refinam a experiência de construção de naves. O “encaixe” das peças foi significativamente melhorado, a física de colisão está mais robusta e a Oficina de Corvetas agora permite aplicar uma paleta de cores para toda a nave de uma vez, um salto de qualidade para a customização.
Minha Impressão sobre a Atualização Breach
O grande destaque deste update, sem dúvida, é a Expedição 20, que traz uma pitada de terror na medida certa para o Halloween. A escolha de explorar duas das possibilidades mais recentes e empolgantes do game – as corvetas customizáveis e a exploração do espaço (“spacewalking”) – foi um acerto genial da Hello Games. Combinar essas mecânicas com a atmosfera de abandono e mistério dos sistemas de estrela roxa promete uma experiência única.
Confesso que não vejo a hora de conferir a nova atualização Breach pessoalmente, especialmente no PSVR2. A ideia de pairar no silêncio do espaço, olhando para a carcaça de uma enorme corveta destruída, e depois flutuar por seus corredores escuros e abandonados com o headset de realidade virtual é, sozinha, um motivo mais do que suficiente para voltar a No Man’s Sky.
A atualização Breach é mais uma prova do comprometimento contínuo da Hello Games em surpreender e engajar sua comunidade, nove anos após o lançamento. É um presente de Halloween para todos os viajantes do cosmos.
O que acontece quando você pega a calma de um simulador de fazenda, a estratégia de um puzzle e adiciona uma boa dose de crítica social e humor ácido? A resposta é Super Farming Boy. Passei um tempo com esse indie e acredito que esta é uma das misturas mais inusitadas e cativantes que experimentei recentemente. A premissa é tão ousada quanto eficaz: um jogo de fazenda onde a calma é substituída pela adrenalina de criar combos perfeitos, tudo embrulhado em uma estética de revista em quadrinhos que esconde uma narrativa profundamente irônica.
Para mergulhar de cabeça no clima único deste jogo, nada melhor do que ver o trailer oficial. A preparação é fundamental para a loucura que te aguarda.
Trailer Oficial – Super Farming Boy
Assista e confira a jogabilidade única e o estilo visual marcante de Super Farming Boy.
A Gameplay que Virou o Gênero de Cabeça para Baixo
O coração de Super Farming Boy não está na paciência de esperar as plantas crescerem, mas na inteligência de planejar seu campo para criar reações em cadeia. A sensação de ver uma fileira inteira de milhos sendo colhidos porque você puxou o primeiro é simplesmente viciante.
Cada planta tem uma característica única, e descobrir como entrelaçar milhos, cenouras e outros itens para formar combos monumentais é o que impulsiona cada dia na fazenda. É um sistema que exige mais raciocínio do que reflexo, mas que entrega uma satisfação imensa quando executado com maestria.
E para gerenciar essa loucura, a criatividade dos desenvolvedores brilha. A tabela abaixo resume alguns dos pilares que sustentam a experiência:
Característica
Como Funciona
Combos e Reações em Cadeia
Colheita estratégica onde plantas vizinhas são coletadas em sequência, otimizando tempo e recursos.
“Você é a Ferramenta”
Transformação do personagem em ferramentas (shovel, picareta, regador) com um toque, eliminando a necessidade de trocar itens.
Tradução de alta qualidade, essencial para aproveitar o humor nos diálogos e descrições.
Longe de ser um jogo relaxante, Super Farming Boy te mantém em alerta. É preciso gerenciar a alimentação, o cansaço e o sono do Super, enquanto se planeja o layout da plantação. Até a morte é um evento que vem com uma cobrança de resgate, em um ciclo que reforça, de forma genial, a temática de exploração econômica imposta pelo vilão.
Uma Sátira Afiada em Meio a Gráficos Encantadores
É impossível falar de Super Farming Boy sem destacar sua dupla personalidade estética. Os gráficos são vibrantes, coloridos e lembram os desenhos animados clássicos, com um toque que evidencia inspiração em Cuphead. No entanto, essa doçura visual é o pano de fundo para uma narrativa que não tem medo de cutucar a ganância corporativa.
Estas são apenas as primeiras impressões, e é importante deixar claro que o jogo ainda está em acesso antecipado, com mais conteúdo prometido, como novas estações e chefes. No entanto, a base que a LemonChili construiu é excepcionalmente sólida.
Super Farming Boy é uma brisa fresca para um gênero cheio de convenções. Ele é divertido, inteligente e não tem medo de ser diferente.
A jogabilidade de combos é profundamente recompensadora, e o humor satírico é o tempero perfeito. Se você procura uma experiência que fuja do comum e esteja disposto a refletir (e rir) enquanto cultiva seu campo, este jogo é uma boa. Mal posso esperar para ver como a experiência evoluirá até o fim da campanha.
Há um nicho cativante nos games que transforma tarefas cotidianas em experiências lúdicas e relaxantes. O Workshop Simulator VR é a mais nova incursão nesse território, prometendo nos colocar no comando de uma oficina para restaurar e revitalizar os mais variados objetos. Depois de algum tempo com ele no PSVR2, minhas primeiras impressões do Workshop Simulator VR mostram um jogo que entende o apelo de sua premissa específica, mesmo com alguns tropeços imersivos.
A premissa é direta e o Workshop Simulator VR entrega exatamente o que propõe: é genuinamente agradável se entregar à tarefa metódica de restaurar um carrinho antigo ou uma ferramenta enferrujada. Há uma satisfação tangível em ver o processo completo, da desmontagem à pintura final, sabendo que o pagamento recebido irá desbloquear novas ferramentas e consumíveis.
alar sobre a sensação de imersão é uma coisa, mas mostrá-la é outra. Gravei um vídeo com as minhas primeiras impressões na prática, restaurando um dos primeiros itens da oficina. Confira para ver a jogabilidade e os detalhes que citei em ação:
Assista para ver a restauração em tempo real e entender a atmosfera única do jogo.
Essa ideia de “trabalhar” dentro de um videogame sempre me atraiu, pois, quando bem executada, induz aquele estado de fluxo (o famoso flow state) onde o tempo simplesmente voa. Títulos como Euro Truck Simulator , Arcade Paradise e Dig VR já provaram esse potencial, e é nessa veia que o Workshop Simulator VR se encaixa.
Onde o Workshop Simulator VR Brilha (e onde hesita)
Os controles, no geral, respondem muito bem, permitindo um manejo convincente de ferramentas e peças. A imersão, fator crucial em VR, se sustenta na maior parte do tempo. A oficina é um ambiente credível, e a física de interação com os objetos é sólida. No entanto, alguns detalhes quebram um pouco esse feitiço.
Em processos mais detalhistas, como limpar ou pintar a área de contato entre os dedos e o objeto que se está segurando, o jogo as vezes simplesmente ignora a presença da sua própria mão. Além disso, algumas ferramentas possuem zonas de uso absolutamente delimitadas – o estilete para abrir caixas, por exemplo, só funciona em um ponto específico da bancada, o que tira um pouco da liberdade orgânica que a VR promete.
Um ponto de atenção para o público brasileiro é a falta de localização. O jogo não possui tradução para o português, e a dublagem em inglês, infelizmente, soa artificial – como se fosse gerada por IA – e em um volume desproporcionalmente mais alto que o resto do jogo.
A trilha sonora ambiente é agradável, mas se mostra repetitiva rapidamente. Confesso, que este é o tipo de jogo perfeito para colocar seu podcast favorito ou um álbum novo para tocar enquanto a mente se concentra nas tarefas de restauração.
Qual foi a primeira impressão?
Conforme descrito pelos desenvolvedores, o Workshop Simulator VR coloca você como dono da oficina, com uma variedade de ferramentas especializadas para desmontar, limpar e pintar itens, expandindo seu negócio. O jogo também está disponível para Meta Quest e PC VR via Steam.
Minhas primeiras impressões do Workshop Simulator VR confirmam que o jogo entrega o que se propõe: uma simulação relaxante e específica. Seu maior pecado, talvez, seja justamente se propor a fazer pouco, limitando-se a um ciclo de trabalho que pode não agradar a todos. No entanto, para quem busca uma experiência meditativa em VR, um “jogo-podcast” onde suas mãos estão ocupadas mas sua mente pode vagar, esta oficina virtual tem suas portas abertas e certamente vale uma primeira visita.
Há uma fantasia quase universal em abandonar a correria da vida moderna para recomeçar em um lugar pacato, cercado por coisas que amamos. Foi com esse espírito que mergulhei nas primeiras impressões de Tiny Bookshop, um jogo de gestão e narrativa que promete colocar o jogador no comando de uma livraria ambulante à beira-mar.
Após pouco mais de duas horas conhecendo suas mecânicas, personagens e a cidadezinha litorânea que serve de plano de fundo, a sensação que fica é a de um abraço carinhoso.
Como os bons livros que vende, Tiny Bookshop parece ser a companhia perfeita para uma tarde calma, com um bom chá ao lado. Esse aspecto relaxante é transmitido com maestria através de seus visuais delicados, sua trilha sonora suave e, principalmente, por uma progressão de mecânicas que, embora apresentem complexidade, são introduzidas aos poucos e sem a pressão de um senso de urgência.
Antes de nos aprofundarmos, que tal sentir a atmosfera acolhedora de Bookstonbury? Confira o trailer oficial de Tiny Bookshop abaixo:
Trailer oficial de Tiny Bookshop – Conheça a livraria ambulante e os personagens de Bookstonbury no litoral.
Uma Vida Nova sobre Rodas e Páginas
A premissa nos coloca na pele de uma protagonista que decide largar tudo, engata um pequeno trailer ao carro e parte em busca de uma nova vida. É uma ideia que ressoa profundamente em nosso tempo, e o jogo a explora com um charme peculiar.
Minhas primeiras impressões de Tiny Bookshop confirmam que se trata de uma mistura bem dosada entre o gerenciamento estratégico da loja e um foco narrativo cativante.
São as pequenas side quests — como a solicitação de uma garota para completar seu pote com 12 conchas marinhas — que nos permitem conhecer melhor os personagens e os diferentes cantos da charmosa Bookstonbury.
A Complexidade Aconchegante do Gerenciamento
Apesar do tom ser sempre calmo, o jogo não deixa de desafiar a nossa mente. É preciso estar atento ao jornalzinho da cidade para captar informações que impactam o negócio: previsão do tempo, eventos locais e anúncios de venda de livros usados para repor o estoque, organizado por categorias como Drama e Clássico.
A limitação de espaço do trailer obriga o jogador a fazer escolhas estratégicas sobre quais livros expor. A customização da loja, no entanto, vai além da estética. Itens de decoração, como uma caveira por exemplo, concede bônus para a venda de certos gêneros, mas pode prejudicar as vendas na seção infantil. Um detalhe de profundidade do jogo que enriquece nossa experiência.
O Prazer de Recomendar um Livro
Talvez a mecânica mais interessante nestas primeiras impressões de Tiny Bookshop seja o momento em que um cliente pede ajuda para encontrar um livro. Eles fornecem descrições vagas como “gosto de peças de teatro” ou “adoro ficção científica”, com um nível de clareza que varia conforme a dificuldade. Nem sempre é fácil decifrar o desejo do cliente, e nem sempre temos o livro ideal em estoque. Porém, o acerto em uma recomendação proporciona um boost temporário na performance da loja, uma recompensa gratificante pelo esforço.
A parte boa é que, quando os clientes não precisam de ajuda, as vendas acontecem automaticamente. Esse foi um acerto notável dos desenvolvedores, pois mantém o ritmo relaxante e evita que a experiência se torne maçante ou estressante.
Considerações Finais sobre as Primeiras Impressões
Com base neste inicio de jogo, Tiny Bookshop demonstra um potencial imenso para os fãs de jogos cozy e simulações de gestão. A atmosfera é consistentemente aconchegante, as mecânicas são profundas o suficiente para manter o engajamento a longo prazo, e a narrativa que se esboça através dos personagens é promissora.
A maior ressalva é que o game não recebeu localização em português do Brasil e isso pode prejudicar a experiência de uma parte do público.
Estas primeiras impressões de Tiny Bookshop deixam a certeza de que vale a pena continuar a explorar Bookstonbury e suas histórias, página por página.
Há jogos que conquistam primeiro pelos olhos, e Stars in the Trash é um caso emblemático. Desenvolvido pelo estúdio espanhol Valhalla Cats, o título promete uma experiência narrativa com o charme das animações clássicas. Nesta análise de Stars in the Trash, vamos explorar se a experiência vai além da superfície bela, avaliando sua jogabilidade, narrativa e o impacto de sua mensagem central.
Para quem acompanha o Caixa de Pixels, sabe o quanto valorizamos narrativas para além do jogo. E esta análise de Stars in the Trash confirma que o jogo tem uma: a conscientização sobre o maltrato e abandono animal, um tema nobre e necessário.
Antes de detalharmos nossas impressões, confira o trailer oficial que captura perfeitamente o visual e o tom de Stars in the Trash:
Trailer Oficial – Stars in the Trash: Veja a animação hand-drawn e a jornada de Moka em ação. O jogo disponível para PC e em desenvolvimento para Nintendo Switch.
Um Conto de Animação que Ganha Vida (e é seu Maior Trunfo)
Não há como começar esta análise de Stars in the Trash sem elogiar seu visual. O trabalho da Valhalla Cats, que inclui artistas com passagem por estúdios como Disney e Warner, é notável. Os desenvolvedores desenharam o jogo à mão com técnicas de aquarela, resultando em cenários que realmente parecem saídos de um filme. É, sem dúvida, o aspecto de maior impacto.
A jogabilidade, por sua vez, é acessível. Esta análise de Stars in the Trash deixa claro que se trata de uma combinação de plataforma, combate e puzzles leves, mas com uma curva de dificuldade bastante suave. Eu levei pouco mais de 1 hora para concluir os 9 capítulos desta curta aventura . É uma proposta que prioriza a narrativa e a experiência relaxante.
Gameplay e Controles: Onde a Simplicidade Encontra Problemas
No entanto, é importante deixar claro: a jogabilidade é bastante simples. Para jogadores veteranos, a experiência pode parecer superficial. O combate e os puzzles não evoluem muito, funcionando mais como elementos para quebrar a rotina de exploração.
Somado a isso, encontramos um ponto mais crítico durante os testes no PC pela Steam com um controle DualSense: os controles deixaram a desejar em precisão. Em momentos que exigiam um pouco mais de agilidade, a imprecisão nos comandos era perceptível, levando a frustrações que poderiam ser evitadas. É um aspecto que esperamos seja corrigido com atualizações e antes do lançamento para o Nintendo Switch.
Por outro lado, a implementação do feedback tátil foi um acerto. Assim como em Stray e no cativante Copycat – cuja análise já publicamos aqui no site –, sentir o controle vibrar suavemente quando Moka ronrona é um detalhe de imersão muito bem-vindo e que os donos de gatos vão reconhecer imediatamente.
O Coração do Jogo: Uma Mensagem que Ressoa
O grande trunfo de Stars in the Trash está na mensagem de sua. A história de Moka, um gato mimado que aprende a valorizar o que tem após fugir de casa, é uma boa ilustração sobre responsabilidade e amizade.
A mensagem é reforçada pelo compromisso da desenvolvedora, que já doou milhares de euros para abrigos de animais.
Veredito Final: Para Quem é Este Jogo?
Esta análise de Stars in the Trash conclui que este é um jogo indie que não é para todo mundo. Eu o recomendo para:
Fãs de animação tradicional e arte feita a mão.
Jogadores que buscam histórias curtas e emocionantes (cerca de 1-2 horas).
Pais que desejam apresentar games de plataforma para crianças.
Quem valoriza títulos com uma causa nobre e uma mensagem positiva.
Apesar da jogabilidade simples e dos problemas de controle, Stars in the Trash cumpre seu papel como uma história interativa. Ele é uma opção interessante para uma tarde tranquila, desde que você esteja interessado em sua beleza visual e sua mensagem, e não por desafios de gameplay.
Finalmente é possível mergulhar de cabeça no mundo de Dreams of Another. Após experimentar a campanha completa de aproximadamente 8 horas, tanto na TV do PS5 quanto na imersão total do PSVR2, chegou a hora de destrinchar esta que é uma das propostas mais ousadas do ano. Esta análise de Dreams of Another no PSVR2 não é apenas um recorte técnico, mas uma reflexão sobre uma obra que, como um sonho real, exige digestão e interpretação.
A premissa do jogo como uma “experiência de jogo filosófica” não é um mero artifício de marketing; é um aviso e um convite. Se você espera um jogo de tiro convencional, sairá frustrado. Mas se está disposto a adentrar um quebra-cabeça onírico onde atirar significa criar e onde o “sem sentido” é a lógica reinante, prepare-se para uma experiência singular.
Por que o PSVR2 é a Forma Definitiva de “Sonhar”
A primeira grande conclusão desta análise de Dreams of Another no PSVR2 é clara: o headset de realidade virtual da Sony é, de fato, a melhor maneira de experienciar o jogo. A afirmação vai além da imersão visual proporcionada pela tecnologia de point cloud. Trata-se de uma conexão mais direta com a proposta narrativa e filosófica.
Como apontado há 125 anos na obra seminal de Freud, “A Interpretação dos Sonhos”, o sonho é sempre sobre o sonhador. Jogar na TV é como assistir a alguém relatar um sonho. Jogar no PSVR2 é estar dentro do sonho. Você não está mais olhando para o Homem de Pijamas; você é ele, perambulando por cenários que se materializam e se dissolvem com seus disparos criativos.
O uso do feedback tátil no headset e nos controles, tanto no VR quanto no DualSense na TV, é competente e reforça a materialidade desse mundo onírico, conectando a tecnologia à mensagem.
É importante notar, porém, que a implementação no VR não é perfeita. A resolução no headset poderia ser mais nítida, fiquei com a impressão de que o jogo não utiliza plenamente recursos como o rastreamento ocular para uma resolução dinâmica mais nítida.
Durante minha sessão, os troféus também não apareciam no modo VR ( já tem correção a caminho! ). No entanto, esses detalhes técnicos não ofuscam o impacto importantíssimo da imersão, e é importante destacar que não sofri com quedas significativas de desempenho.
A Psicanálise dos Sonhos em Pixel: O “Sem Sentido” como Regra
Aqui, a minha perspectiva como psicanalista se funde com a de jogador. Dreams of Another é deliberadamente “sem sentido”, assim como são a maioria dos nossos sonhos. A genialidade do jogo está em abraçar essa característica, e não tentar explicá-la totalmente.
A ausência de detalhes nos NPCs – onde um soldado é apenas um soldado, um palhaço é apenas um palhaço – é uma escolha estética que remete a teoria freudiana. Nos sonhos, nem sempre as pessoas têm rostos nítidos. São representações, as vezes condensam mais de uma pessoa, ou são símbolos de desejos, traumas e conflitos.
A memória traumática do Soldado Errante sobre perder seu gatinho na infância, por exemplo, levanta a hipótese de este ser um fator determinante para sua personalidade que é revelada logo na abertura, o “soldado que não consegue atirar”. É uma bela ilustração de como o jogo constrói sua mitologia pessoal, sem impor respostas definitivas.
A narrativa não-linear, que nos joga de um bueiro com toupeiras em um rito de passagem para o fundo do mar e depois para um parque de diversões decadente, replica a lógica do trabalho do sonho: deslocamento e condensação. Os temas não se desenvolvem de forma linear, mas sim através de ecos e conexões que o jogador deve sentir, não apenas entender.
Reflexões, Não Respostas: O Legado de uma Experiência
Dreams of Another não é um jogo para ser consumido de uma só vez. A necessidade de pausas, muitas vezes forçada pelo retorno frequente à tela inicial do protagonista dormindo, é um recurso de design inteligente. Apertei “início” algumas vezes e pensei: “ok, vamos entrar em outro sonho”. Esse ritmo permite digerir as inúmeras questões que o jogo levanta.
O que é arte? O que é liberdade? Como lidamos com a ganância corporativa? Os “anjos angelicais” do parque de diversões, com seus diálogos curtos e ambivalentes – que sempre começam com algo positivo e, após uma pausa, revelam um contraponto as vezes perturbador – são mestres em semear dúvidas existenciais. Eles encapsulam o espírito do jogo: não há verdades absolutas, apenas perspectivas.
A recepção dentro da bolha do PSVR2 – a mídia e os influenciadores especializados neste nicho – parece ter sido, em geral, negativa. O hype por um novo título em uma plataforma com menos novidades pode ter atraído um público que não era o alvo. Comparo Dreams of Another a experiências como Before Your Eyes e Paper Beast – jogos que privilegiam a emoção e a reflexão sobre a ação pura. Dizer que é “o pior jogo de VR” é ignorar completamente sua intenção artística. É perfeitamente válido que o jogo “não fale” com você, mas é crucial reconhecer o que ele se propõe a fazer.
Veredito Final: Um Sonho que Vale a Pena Ser Sonhado
Esta análise de Dreams of Another no PSVR2 conclui que o jogo é um triunfo artístico. É uma obra corajosa, que entende que jogos podem ser veículos para ideias complexas e incômodas, assim como os sonhos o são para nosso inconsciente.
A experiência no PSVR2 é transformadora e alinha perfeitamente a tecnologia com a poesia da narrativa. Embora pequenos problemas técnicos possam existir, eles são insignificantes perto da grandiosidade da ambição e da realização deste projeto.
Dreams of Another não é para todos, e tudo bem. Mas para aqueles dispostos a se perderem em um sonho alheio, a refletir sobre questões profundas e a aceitar que nem tudo precisa fazer sentido imediato, esta é uma jornada inesquecível. É um jogo que, como um processo analítico, demanda seu tempo para ser compreendido e apreciado, mas que recompensa enormemente aqueles que se dedicam a explorar suas camadas.
E você, está preparado para sonhar? Deixe nos comentários suas impressões sobre jogos filosóficos!
O que acontece quando um clássico dos fliperamas decide voltar à ativa após 27 anos? A resposta chega com Sonic Wings Reunion, a tão aguardada sequência da franquia conhecida no Ocidente como Aero Fighters.
Desenvolvido pela SUCCESS com a colaboração de membros da equipe original, este shoot ‘em up vertical é um tiro de nostalgia direto no coração dos fãs, mas que consegue se manter incrivelmente fresco e divertido para novas gerações. A pergunta que fica é: essa reunião vale a pena? Preparem seus controles, pois a aventura é eletrizante.
Antes de mergulharmos fundo na análise, veja o trailer oficial de Sonic Wings Reunion em ação e prepare-se para a nostalgia!
Trailer oficial de Sonic Wings Reunion mostrando a jogabilidade clássica, os personagens e os chefes gigantescos. Confira o retorno da franquia Aero Fighters!
Um Chamado às Armas: A História e o Legado
A trama de Sonic Wings Reunion é pura essência anos 90. No ano 20XX, a organização misteriosa “Fata Morgana” ressurgiu com tecnologia de ponta para controlar o arsenal militar mundial.
Para enfrentar essa ameaça global, levanta-se a equipe de resgate secreta “Project Blue”. A premissa é simples e serve perfeitamente como pano de fundo para a ação caótica. Para quem cresceu nos arcades, ouvir novamente sobre a Fata Morgana é como reencontrar um velho (e perigoso) amigo.
A grande notícia é que este não é um jogo apenas de passado. Sonic Wings Reunion está sendo lançado oficialmente no Ocidente, com versões para PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC via Steam, publicadas pela Red Art Games.
Após um hiato de quase três décadas, poder experimentar um novo capítulo dessa franquia amada em plataformas modernas é, por si só, um motivo de comemoração.
Jogabilidade Atemporal: Controles Afiados e Caos Controlado
Vamos ao que importa: como Sonic Wings Reunion se comporta na tela? A resposta é: uma delícia. A jogabilidade shoot ‘em up é a alma do jogo, e aqui ela flui com uma maestria que só os criadores originais poderiam entregar. A tela enche de projéteis coloridos, exatamente como nos velhos tempos, criando aquele ballet caótico que exige reflexos rápidos e movimentos precisos.
Os controles são extremamente responsivos, e cada uma das dez aeronaves disponíveis — oito desde o início e duas desbloqueáveis — oferece uma sensação genuinamente diferente, variando em velocidade e no tipo de arma de ataque.
É uma jogabilidade que flui super bem. Nos modos mais difíceis, a coisa se torna realmente desafiadora, oferecendo um teste de habilidade digno para os veteranos do gênero.
Um dos destaques é a mecânica de escolher um “sidekick”, mesmo no modo single player. Esse parceiro é quem entrega o ataque especial, adicionando uma camada extra de estratégia na escolha dos personagens.
E falando neles, as interações são um charme a parte. Ao longo da campanha, que passa por várias cidades do mundo como Tóquio e Barcelona, os personagens trocam falas únicas, que são sempre singulares ao contexto de ambos, enriquecendo a narrativa de forma leve e divertida.
A Celebração Visual e Sonora dos Anos 90
No visual e no áudio as coisas funcionam bem e entregam exatamente o esperado, dando aquela cara autêntica dos games que encontrávamos nos fliperamas na década de 90 aqui no Brasil.
O design dos personagens é muito bom, tem uma pegada meio anime / mangá do fim do século passado que agrada demais e evoca uma forte nostalgia.
O pacote de áudio é outro ponto alto. Sonic Wings Reunion oferece três modos sonoros distintos, cada um com seu apelo:
O Modo de Som Original, composto por Soshi Hosoi, o maestro da série.
O Modo de Som Arranjado, onde as músicas dos títulos anteriores são relançadas por um renomado criador de som japonês.
O divertido Modo Mao Mao, onde a música da personagem serve como trilha de fundo
O Destaque Absoluto: A Experiência Arcade Autêntica no Modo Tate
Se há uma característica que merece um aplauso de pé na análise de Sonic Wings Reunion, é a implementação do modo Tate (vertical).
O destaque nesta área é simplesmente entrar nas opções do jogo e alterar a exibição. Depois, é só colocar o Switch no modo portátil na vertical e se deliciar com a gameplay viciante em tela cheia.
Essa opção é uma homenagem fiel à orientação original dos gabinetes de arcade e eleva a imersão a outro patamar, tornando a experiência a mais autêntica possível em um console moderno.
Veredito Final: Uma Reunião que Vale Cada Segundo
Sonic Wings Reunion não é um jogo que tenta reinventar a roda. E é exatamente por isso que ele é tão brilhante. Ele entende perfeitamente o que fez a franquia ser amada e entrega isso com maestria e respeito.
A jogabilidade é viciante e desafiadora, o visual e o áudio capturam a essência dos anos 90 com perfeição, e a inclusão de funcionalidades modernas, como o modo Tate e opções de treinamento com invencibilidade, torna a experiência acessível a todos.
A única ressalva fica na vontade de ver um pouco mais daquele design de personagens incrível, que poderia ter tido um espaço mais amplo no jogo.
Mesmo assim, Sonic Wings Reunion é um título obrigatório para os fãs de shoot ‘em up e uma viagem no tempo deliciosa e bem-executada. É a prova de que alguns clássicos não apenas resistem ao teste do tempo, mas podem retornar mais vibrantes do que nunca.
Espero que tenham gostado da análise! E você, já jogou? Conte nos comentários qual a sua aeronave favorita e suas lembranças de Aero Fighters.
Esta análise foi realizada com uma cópia de avaliação para Nintendo Switch, gentilmente cedida pela Red Art Games. Agradecemos a confiança depositada em nosso trabalho.
Quando um jogo começa te colocando no corpo de uma cobra esquelética no Limbo, você já sabe que a experiência será singular. Kulebra and the Souls of Limbo, título da pequena e talentosa Galla Games, transforma essa premissa peculiar em uma aventura cativante e visualmente encantadora.
Em minhas primeiras horas com o game na Nintendo Switch, que compreendem toda a jornada do Capítulo 1, pude perceber que se trata de um projeto especial, que vai além da estética para tocar em temas complexos com uma maturidade admirável.
Neste texto, compartilho minhas impressões sobre o que faz de Kulebra and the Souls of Limbo um jogo tão memorável.
A Beleza de um Mundo de Papel Latino-Americano
É impossível falar desse jogo sem começar por sua apresentação visual. O estilo papercraft é executado com um carinho e uma identidade próprios que saltam aos olhos. Os cenários são pop-ups tridimensionais cheios de vida, e os personagens, como folhas de papel animadas, se movem com um charme inegável.
A grande sacada, porém, está na paleta de cores e na influência cultural. O jogo não apenas é colorido; ele respira a estética e o folclore latino-americano, com uma representação do pós-vida que lembra celebrações como o Día de los Muertos.
No Nintendo Switch, o visual estilizado e colorido transita perfeitamente entre o modo portátil e o modo TV, reforçando seu apelo como uma experiência cozy.
Antes de mergulharmos mais fundo, confira abaixo um trecho da gameplay do primeiro capítulo, que gravei para o canal, e veja o visual deslumbrante e a jogabilidade relaxante de Kulebra and the Souls of Limbo em ação!
Gameplay de Kulebra and the Souls of Limbo mostrando o início do jogo e a exploração no estilo papercraft. Veja o protagonista Kulebra, uma cobra esquelética, ajudando outros personagens e o combate criativo contra o primeiro chefe.
Narrativa que Abraça a Complexidade Humana
Por trás dos cenários vibrantes, Kulebra and the Souls of Limbo apresenta uma narrativa que lida com assuntos surpreendentemente pesados, porém com uma sensibilidade notável .
Em sua jornada como Kulebra, uma “Alma Brilhante”, seu papel é ajudar outros espíritos presos em um loop temporal a enfrentarem seus arrependimentos e traumas para, finalmente, seguirem em paz.
O primeiro capítulo já deixa claro que o jogo não tem medo de abordar temas como luto, abandono e conflitos familiares. A forma como a história entrelaça o trauma de um personagem específico com sua transformação no chefe do capítulo é uma jogada narrativa brilhante.
Como psicanalista, foi particularmente interessante ver o jogo explorando as causas e consequências do trauma de forma tão integrada, mostrando que a escuridão pode ser é um reflexo de uma dor não resolvida.
Gameplay e a Surpresa dos Bosses
A jogabilidade de Kulebra and the Souls of Limbo é majoritariamente relaxante, focada em explorar, conversar com os personagens e resolver pequenos quebra-cabeças de itens . A trilha sonora, com seus violões e trompetes, embala perfeitamente essa jornada, dando um tom cozy que acalma o jogador mesmo quando a narrativa aprofunda em temas sérios.
Um dos momentos mais marcantes da jogatina, sem dúvida, é o confronto com o chefe no final do primeiro capítulo. Como você mesmo notou, as mecânicas são simples, mas extremamente eficazes e criativas.
Diferente de uma luta tradicional, esse embate funciona como um teste de conhecimento sobre a história dos personagens que você encontrou, uma “prova” de que você prestou atenção em suas dores. É um sistema que recompensa a investigação e a empatia, e que cumpre perfeitamente seu papel de finalizar a fase com chave de ouro narrativa.
Conclusão
Kulebra and the Souls of Limbo é daqueles jogos que vai ficar na mente e no coração depois que você deixar o controle. Ele consegue a proeza de ser ao mesmo tempo vibrante e melancólico, simples em sua jogabilidade e profundo em seu tema.
A Galla Games demonstrou, em sua estreia em grande estilo, um domínio incrível para contar histórias que importam, embaladas em um pacote visual absolutamente deslumbrante.
Se você é fã de jogos narrativos, experiências cozy ou simplesmente aprecia um trabalho artístico com alma, Kulebra and the Souls of Limbo é uma recomendação fácil e uma jornada que vale cada minuto.
Esta análise foi realizada com uma cópia de avaliação para Nintendo Switch, gentilmente cedida pelo estúdio Galla Games. Agradecemos a confiança depositada em nosso trabalho.