Sempre defendi que jogos de terror devem ser experimentados em realidade virtual sempre que possível. Estar lá dentro, com o medo colado na pele, transforma qualquer susto em algo muito mais visceral. Foi com esse espírito que coloquei meu PSVR2 e mergulhei em Evil Inside VR, adaptação do título que originalmente existia apenas para tela plana – e que eu não conhecia. O game também está disponível para Meta Quest, mas esta análise é baseada exclusivamente na versão para o headset da Sony.
Antes de continuar, assista ao trailer oficial e sinta o clima opressivo que o jogo promete:
Uma casa, um trauma e um loop infernal
Em Evil Inside VR você controla Mark, um jovem tentando encontrar respostas após a morte da mãe e a prisão do pai. Sua ferramenta é aquele famoso tabuleiro Ouija, usado para se comunicar com os espíritos. A história se desenrola quase inteiramente dentro da casa da família – um cenário que se modifica sutilmente a cada ciclo, como se Mark fosse obrigado a reviver a mesma situação várias vezes até conseguir processar o trauma. Como psicanalista, confesso que foi impossível não enxergar a jornada por esse viés: uma repetição que leva à elaboração.
Jogabilidade: entre P.T. e os tropeços de um indie
A estrutura da gameplay remete imediatamente ao clássico P.T., e não acho que seja coincidência. Ainda assim, Evil Inside VR consegue se sustentar por si só. O ritmo é lento e opressivo, com sustos bem posicionados e alguns puzzles que pedem atenção ao ambiente. Porém, sendo um projeto indie, surgem aquelas arestas típicas. Em certo momento, uma alavanca que deveria restaurar a eletricidade ficou presa bem abaixo do encaixe correto, literalmente saindo de dentro da parede. Também me incomodou a interação limitada com o cenário: poucos objetos reagem ao toque, e alguns depois se revelam peças de um puzzle reagindo, o que quebra a imersão. Felizmente, a dificuldade geral é branda; apenas um puzzle me fez perder algum tempinho a mais.
Atmosfera e áudio: o terror funciona como deveria
Onde Evil Inside VR realmente brilha é na atmosfera. A casa respira tensão, e os vários sustos que levei ao longo da sessão mostram que o jogo entende de horror psicológico. O trabalho de áudio contribui para isso, com ruídos e trilhas que deixam os nervos à flor da pele. Uma grata surpresa foi encontrar menus e legendas em português do Brasil, mesmo com os diálogos em inglês – atenção que merece aplausos.

Visual decepciona, mas a localização surpreende
Infelizmente, a parte visual é o calcanhar de Aquiles. A resolução que chega às lentes do PSVR2 é baixa, a ponto de me lembrar os tempos do primeiro PSVR no PS4. Acredito que a ausência da renderização dinâmica ocular (foveated rendering) seja a principal responsável – aquela tecnologia que turbina a área para onde os olhos miram e alivia o processamento nas bordas, muito usada em títulos como GT7 e Horizon Call of the Mountain. Sem esse recurso, a imagem entrega nitidez bem abaixo do que o headset da Sony é capaz. Em contrapartida, repito: a localização em PT‑BR é um acerto e tanto.
Veredito
No geral, eu curti a experiência. Evil Inside VR me entregou exatamente o que promete: uma atmosfera aterrorizante, sustos e uma narrativa intrigante o suficiente para me manter jogando até o fim – tão curto que consegui platinar o game em pouco mais de uma hora. Sim, há deslizes de interação, alguns bugs visuais e um acabamento gráfico que deixa a desejar. Mas, para um jogo indie de terror, ele acerta no essencial. Recomendo para fãs do gênero que não se incomodam com um jogo levemente desengonçado e querem sentir o medo de dentro do pesadelo.

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